terça-feira, 17 de março de 2009

O todo sem a parte, não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte faz o todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.

Gregório de Matos

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Epílogo

Eu quis um dia, como Schumann, compor
Um carnaval todo subjetivo:
Um carnaval em que o só motivo
Fosse o meu próprio ser interior...

Quando o acabei - a diferença que havia!
O de Schumann é um poema cheio de amor,
E de frecura, e de mocidade...
E o meu tinha a morta mortacor
Da senilidade e da amargura...
- O meu carnaval sem nenhuma alegria!...

Poema de uma quarta feira de cinzas

Entre a turba grosseira e fútil
Um Pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
Feita de sonho e de desgraça...

O seu delírio manso agrupa
Atrás dele os mais e os basbaques.
Esto o indigita, este o outro o apupa...
Indiferente a tais ataques,

Nublada a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
Feita de sonho e de desgraça...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sonho de uma terça feira gorda

Eu estava contigo. Os nosso dominós eram negros, e negras eram as nossas máscaras.

Íamos, por entre a turba, com solenidade,
Bem conscientes do nosso ar lúgubre
Tão contrastado pelo sentimento de felicidade
Que nos penetrava. Um lento, suave júbilo
Que nos penetrava... Que nos penetrava como uma espada de fogo...
Como a espada de fogo que apunhalava as santas extáticas!

E a impressão em meu sonho era que se estávamos
Assim de negro, assim por fora inteiramente de negro,
- Dentro de nós, ao contrário, era tudo claro e luminoso!

Era terça feira gorda. A multidão inumerável
Burburinhava. entre clangores de fanfarra
Passavam préstitos apotéoticos.
Eram alegorias ingênuas ao gosto popular, em cores cruas.

Iam em cima, empoleiradas, mulheres de má vida.
De peitos enormes - Vênus para caixeiros.
Figuravam deuas - deusa disto, deusa daquilo, já tontas e seminuas.
A turba, ávida de prosmicuidade,
Acotovelava-se com algazarra,
Aclamava-as com alarido
E, aqui e ali, virgens atiravam-lhes flores.

Nós caminhávamos de mãos dadas, com solenidade,
O ar lúgubre, negros, negros...
Mas dentro de nós era tudo claro e luminoso!
Nem a alegria estava ali, fora de nós.
A alegria estava em nós.
Era dentro de nós que estava a alegria,
- A profunda, a silenciosa alegria...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

CARNAVAL.

É sério. Odeio carnaval.
Eu até tento gostar, entrar no clima, mas não dá!
Esse excesso de pessoas, o excesso de barulho, de bagunça, de violência, e até o excesso de felicidade me irrita. Não lembro de ter algum trauma relacionado a data, mas não gosto. =x
Nada melhor que ficar em casa lendo, escutando música, jogando video game e vendo filme.
E é isso que vou fazer, me trancar em casa e ficar o mais longe possível disso tudo.
Esse ano até pensei em sair um dia, ver uns shows, rir um pouco e quem sabe até beber alguma coisa. Mas essa semana me fez desistir, vou ficar em casa com a familia, acho que 3/4 dias sem sair de casa não vai me matar. Sem falar que nem beber eu posso, por causa dos remédios. Só se eu seguir a idéia de um amigo, tomar remédio e beber, porque ai, vai dar "barato". HAHAHAHAHAHAHAHAHA. NÃO, ISSO NÃO COMBINA COMIGO.
Eu, chata, sem sal, sem açúcar, sem porra nenhuma. Não, não dá.

Mas enfim,
hoje, mechendo nas minhas coisas, achei o livro de poemas carnaval do bandeirão *-* vou postar alguns poemas que gosto durante esses dias. Pra começar...

EPÍGRAFE
Ela entrou com embaraço, tentou sorrir, e perguntou tristemente - se eu a reconhecia?
O aspecto carnavalesco lhe vinha menos do frangalho de fantasia do que do seu ar de extrema penúria. Fez por parecer alegre. Mas o sorriso se lhe transmudou em ricto amargo. E os olhos ficaram baços, como duas poças de água suja...
Então, para cortar o soluço que adivinhei subindo sua garganta, puxei-a para o pé de mim e, com doçura:

- Tu és a minha esperança de felicidade e cada dia que passa te quero mais, com perdida volúpia, com desesperação e angústia...

lindo não?